BRASIL GANHA ACELERADORA DE STARTUP VOLTADA PARA CANNABIS MEDICINAL



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The Green Hub, espaço situado em Santo André (SP), desenvolveu um programa de aceleração para projetos com foco no uso terapêutico da erva

 

Aceleradoras de startups são instituições que combinam recursos financeiros e intelectuais com o propósito de impulsionar e desenvolver empresas rapidamente. Algumas delas são voltadas para companhias de base tecnológica, outras, para projetos na área de saúde; e também há aquelas com foco em trabalhos sociais.

Em dezembro de 2017, o leque de aceleradoras ganhou uma nova categoria com a The Green Hub, voltada para startups que visam uso e estudo da cannabis medicinal.

A The Green Hub é um centro de aceleração criado e situado em Santo André, no ABC Paulista. O espaço foi fundado pelo administrador de empresas Marcel Grecco, 35, no final do ano de 2016. Porém, foi somente em dezembro de 2017 que a aceleradora abriu suas portas para abrigar os primeiros projetos.

Neste ciclo inicial de aceleração, a The Green Hub está sediando dois projetos: o CEC (Centro de Excelência Canabinoide), associação que presta consultoria e cursos para profissionais da área médica sobre a cannabis medicinal; e a Anella, um software de gestão que oferece sugestão de posologias e melhores práticas para o uso terapêutico da erva.

“Essas são startups próprias que nasceram dentro de casa. Estamos usando as duas para validar nosso programa de aceleração”, explica Grecco.

Segundo o administrador, a aceleradora conta com um time multidisciplinar de especialistas voltados para as áreas de tecnologia, inovação, médica, jurídica, comercial e corporativa de diversas regiões do mundo, inclusive de países onde o consumo da erva é permitido.

Além da mentoria intelectual, o programa de aceleração da instituição contempla investimentos de até R$ 50 mil.

Potencial econômico
Baseada na tríade “dados, pesquisa e educação”, a The Green Hub firmou uma parceria com a New Frontier Data, empresa norte-americana de análise de dados especializada no assunto da cannabis medicinal. Juntas, as instituições produziram um relatório sobre o potencial da maconha medicinal no mercado brasileiro. 

“Caso fosse regulamentada, nos três primeiros anos de uso, a cannabis medicinal teria potencial de atingir 3,4 milhões de pacientes, incluindo aqueles com dores crônicas. Isso equivaleria a R$ 4,7 bilhões de reais na economia do país”, explica Grecco, que se interessou pelo assunto da cannabis medicinal há três anos, depois de entrar em contato com movimentação mundial sobre o uso terapêutico da maconha.

Os dados foram obtidos através de análise com os números registrados nos EUA após a liberação da erva em alguns estados. Para a análise em questão, foi considerando que a cannabis seria utilizada para tratar de enfermidades tais como doenças crônicas severas, câncer, fibromialgia, distúrbios alimentares e ansiedade.

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Situação brasileira
No Brasil, o uso e cultivo da maconha para consumo recreativo é proibido. Todavia, a utilização da erva de forma terapêutica vem avançado conforme os anos.

Em 2015, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a importação de produtos que utilizam o canabidiol, derivado da maconha, para fins medicinais. Em 2016, foi a vez do tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da erva, ganhar autorização para prescrição e importação por intermédio do órgão.

Um passo maior foi dado no ano passado, em 2017, ano em que a Anvisa autorizou o registro do medicamento Mevatyl® no país, feito à base de THC e canabidiol para tratar de espasticidades relacionadas à esclerose múltipla.

Passos futuros
No início do próximo semestre de 2018, em julho, a equipe da The Green Hub dará início a um novo ciclo de captação financeira para acelerar mais projetos. Segundo Grecco, ainda não há um número exato de quantas startups devem ser selecionadas em cada ciclo para integrar o programa.

“Estamos desde já buscando novas startups. Os interessados podem entrar em nosso site e se cadastrar, assim começamos uma aproximação para conhecer o projeto. Temos espaço para startups que estejam tanto no estágio de ideia até para aquelas que já estão faturando”, explica Grecco.

Empresários e investidores interessados em apostar no mercado da cannabis medicinal também podem entrar em contato com a aceleradora.

“Nosso objetivo é trazer informações validadas para que legisladores responsáveis possam usar nossas informações e tomar decisões cabíveis. Para isso, estamos buscando entender como essas questões funcionam em outros países que já aprovaram o uso medicinal da cannabis e trazer os exemplos bem sucedidos para cá. Pesquisa, dados e estudos são os grandes pilares que precisamos para que esse mercado cresça e se desenvolva de forma responsável”, afirma Grecco.

LINK ORIGINAL: revistagalileu.globo.com/Tecnologia/noticia/2018/01/brasil-ganha-aceleradora-de-startup-voltada-para-cannabis-medicinal.html