LEGALIZAÇÃO TOTAL VAI ABALAR COMÉRCIO DE MACONHA MEDICINAL DE NY



LEGALIZAÇÃO TOTAL VAI ABALAR COMÉRCIO DE MACONHA MEDICINAL DE NY

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A nova e reluzente botica em frente ao Barclays Center, no Brooklyn, não oferece sucos de couve nem kombucha. Ela se dedica à venda de maconha.

A Citiva, inaugurada em 30 de dezembro, é o primeiro comércio de maconha medicinal do bairro. Faz parte de uma nova geração de vendedores de maconha legalizada que se empenham em transmitir a beleza de uma butique, em vez da insipidez de um consultório médico. Os farmacêuticos da Citiva usam coletes marrons em vez de jalecos brancos e oferecem maconha para uso médico com nomes como "Good Morning Sunshine". A loja também vende itens como loções e pomadas, tudo embalado em coloridas latas de metal. Os transeuntes poderiam muito bem pensar que o lugar é um spa ou salão de beleza.

"As pessoas querem se sentir à vontade, bem-vindas", disse Hadley Ford, CEO da iAnthus, a empresa de investimento em maconha que é dona da Citiva. "Elas querem estar em um ambiente onde sentem que podem aprender."

Essa ênfase no esclarecimento - e na diversificação - coincide com um empenho crescente para legalizar o uso recreativo de maconha em Nova York. Em janeiro, o governador Andrew Cuomo revelou uma proposta para permitir o uso por adultos com 21 anos ou mais e também para criar uma agência estadual que regule as vendas. A proposta faria de Nova York o 11º estado dos EUA a adotar essa medida.

O pequeno setor de maconha medicinal do estado, no entanto, está se preparando para a nova realidade, caso ela se concretize. "Eles só falam disso", disse John Schiumo, porta-voz da Associação da Indústria de Cannabis Medicinal de Nova York, um grupo do setor. "A pior hipótese é o fechamento de suas empresas."

Enquanto os legisladores em Albany, a capital do estado, discutem os detalhes, os dispensários de Nova York devem cumprir a lei existente. Na Quinta Avenida, em Manhattan, a loja de maconha medicinal MedMen tem o minimalismo etéreo e moderno de uma Apple Store. Seus produtos, no entanto, não estão ao alcance dos clientes: as amostras ficam protegidas por um vidro e o estoque é guardado atrás de uma porta digna de um cofre de banco.

A proposta de Cuomo abalaria este mundo, e os dispensários querem ter certeza de que não serão deixados para trás. No Oregon, devido à expansão do setor de maconha recreativa, os dispensários de maconha medicinal desapareceram e os pacientes que precisam de doses altas recorreram a traficantes ilícitos. A senadora de Nova York Diane Savino, que defendeu a lei estadual de maconha medicinal de 2014, disse que os legisladores deveriam adotar Nevada como modelo. Esse estado permitiu que os dispensários de maconha medicinal vendam maconha recreativa, protegendo-os do ataque de grandes empresas.

Michael Quattrone, presidente da Citiva, disse que outras mudanças são necessárias. Ele quer um imposto mais baixo que a taxa proposta de 22 por cento de impostos estaduais e municipais combinados para atacadistas. Ele alertou que os preços serão tão altos que as pessoas vão continuar comprando maconha nas ruas. Foi o que aconteceu na Califórnia, onde regulamentações rigorosas e uma série de novos impostos frustraram o mercado legalizado.

No terceiro trimestre do ano passado, o departamento de saúde do estado publicou uma análise do impacto da legalização da maconha. O mercado de maconha de Nova York valeria de US$ 1,7 bilhão a US$ 3,5 bilhões, mostrou o relatório, gerando de US$ 248,1 milhões a US$ 677,7 milhões em receita tributária estadual e municipal.

A Associação da Indústria de Cannabis Medicinal de Nova York está pressionando para que o estado lhe conceda autorização para vender maconha recreativa e abrir dispensários adicionais em todo o estado. A lei atual impõe um limite de quatro dispensários a cada organização. "O programa atual de maconha medicinal será fechado se os produtores de Nova York desse tipo de maconha não puderem se expandir", disse Schiumo.

Fonte: UOL