LIBERAÇÃO DA MACONHA GANHA INESPERADO PROTAGONISMO NAS ELEIÇÕES DE ISRAEL



LIBERAÇÃO DA MACONHA GANHA INESPERADO PROTAGONISMO NAS ELEIÇÕES DE ISRAEL

LIBERAÇÃO DA MACONHA GANHA INESPERADO PROTAGONISMO NAS ELEIÇÕES DE ISRAEL
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

As eleições gerais de 9 de abril em Israel têm um protagonista inesperado: a maconha.

A legalização da planta se tornou um tema constante em uma campanha eleitoral que até então era dominada pelo conflito com os palestinos, pela economia e pela corrupção.

Quando foi anunciado que os israelenses iriam às urnas em abril, logo depois a renúncia do então ministro de Defesa, Avigdor Lieberman, a lógica indicava uma campanha marcada pelas questões de segurança, sempre presentes, e pela corrupção, já que o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, deve ser denunciado por três casos diferentes pela Procuradoria-Geral.

Há algumas semanas, no entanto, a legalização da maconha para uso recreativo tornou-se um dos temas mais discutidos e pode influenciar de forma significativa a divisão de votos no país.

O tema não só foi aberto ao debate público e midiático, mas muitos candidatos foram obrigados a falar sobre a questão e até acrescentar a questão da legalização aos seus planos de governo.

Se a relevância na campanha é surpreendente, mais estranho ainda é quem talvez seja o principal responsável para que o tema tomasse conta da pauta eleitoral: Moshe Feiglin. Líder do partido de extrema direita Zehut, ele tem a legalização como principal bandeira.

Após um início de campanha pouco animador, Zehut começou a subir posições e atualmente, segundo as pesquisas, conta com os votos necessários para fazer parte do Knesset, o parlamento de Israel, com pelo menos quatro cadeiras.

Em entrevista à Agência Efe, Feiglin, que se autodefine como um libertário, explicou que o sucesso da proposta ocorreu porque "os israelenses querem tirar o Estado de suas veias".

"O cannabis é só a ponta do iceberg", projetou.

O inesperado crescimento do Zehut nas pesquisas levou diferentes candidatos a se expressarem publicamente sobre o consumo de maconha para tentar atrair os eleitores que priorizam a legalização.

Tanto o Partido Trabalhista, como o centrista Gesher e o comunista Hadash, cuja lista é principalmente composta por candidatos árabes, se somaram ao esquerdista Meretz e se apressaram a se pronunciar a favor da legalização.

A declaração mais surpreendente, no entanto, foi a de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro e líder do direitista Likud que, embora não tenha expressado sua postura a respeito com clareza, também não quis também ficar de fora. Consultado sobre sua opinião a respeito, disse estar analisando o assunto e afirmou que permitir o consumo legal "é uma possibilidade".

O Zehut poderia ajudar o Likud a formar governo, mas já alertou que não será parte de um Executivo que não apoie a legalização.

Por outro lado, outro partido de extrema-direita e potencial aliado de Netanyahu, o Força Judaica, prometeu o contrário, que não participará de uma coalizão pró-legalização.

As divergências entre as duas legendas podem complicar as negociações para a formação de governo em um país com um parlamento de 120 deputados muito dividido, no qual o partido majoritário não costuma superar os 35 assentos.

O Zehut, no entanto, não é o primeiro partido em utilizar o consumo livre de maconha como bandeira de campanha. O partido Folha Verde participou de todas as eleições desde sua criação em 1999, sempre com a legalização como sua principal proposta.

Os resultados, porém, decepcionaram. Sem nunca conseguir atingir os votos necessários para superar a cláusula de barreira parlamentar, o Folha Verde decidiu não disputar a próxima eleição.

O líder da legenda, Oren Leibowitz, explicou à Agência Efe que o protagonismo do assunto é parte de um plano de seu partido.

"A nossa estratégia foi, em vez de concorrermos, deixarmos que os outros partidos disputem nossos eleitores e assim aconteceu. Vários candidatos se expressaram a favor da legalização", afirmou.

Consultado sobre se acredita que são promessas vazias de campanha, respondeu que mesmo que sejam, os políticos não poderão voltar atrás na decisão.

"Se não fosse época de eleições, é provável que a maioria não tivesse se pronunciado a respeito, mas agora que fizeram, não poderão votar contra em uma futura votação porque as pessoas não se esquecem das coisas", analisou Leibowitz.

Em Israel, o uso da maconha com fins medicinais foi aprovado em 1999. Desde então, o acesso foi sendo facilitado e neste ano foi autorizada a exportação de maconha medicinal.

Neste momento, o uso recreativo é penalizado com multas de cerca de 250 euros a 500 euros para as primeiras duas infrações e possível trabalho comunitário para uma terceira, mas sem gerar acusações penais.

Israel é um dos países com maiores índices de consumo de maconha e, de acordo com diversos estudos, 50% da população declarou ter fumado pelo menos uma vez. Além disso, mais de 70% dos israelenses se pronunciam a favor da legalização. 

Fonte: UOL