A Cannabis sativa é uma planta do gênero angiosperma, da família Cannabaceae, que pode ser de três tipos diferentes – Sativa, Indica e Ruderalis. Cada uma destas variações tem composições diferentes entre si, mas bastante semelhantes. Todas são formadas por centenas de compostos químicos, incluindo mais de uma centena de canabinoides. Já ouviu falar?

E o que são canabinoides?

Canabinoides são substâncias produzidas pelos organismos tanto de mamíferos (como nós, humanos), quanto de vegetais. Nos mamíferos, eles são chamados de endocanabinoides ou canabinoides endógenos e ajudam a equilibrar as funções do corpo. Já nas plantas, o nome correto é fitocanabinoide ou canabinoide exógeno, que, para elas, funciona como uma espécie de proteção.

Estes fitocanabinoides são as substâncias da cannabis que interagem com os organismos animais e fazem isto se associando aos endocanabinoides. É graças a essa interação natural que a cannabis pode ser usada para fins terapêuticos. E como eles são muitos (mais de cem, como dissemos acima), a variedade de patologias para as quais a cannabis pode ser eficiente também é grande.

canabinoides

Os principais canabinoides presentes na cannabis

São muitos os canabinoides presentes nesta planta e seria impossível descrever todos em um único texto. Então, a seguir vamos destacar os principais a seguir:

  • Tetrahidrocanabinol (THC)

O tetrahidrocanabinol (THC) ou Delta(9)-Tetrahidrocanabinol (Δ9-THC) é, provavelmente, o canabinoide mais famoso. É o responsável pelo efeito psicoativo da cannabis e se liga principalmente aos receptores encontrados no cérebro.

É capaz de reduzir ou, até mesmo, eliminar dores, náuseas e o estresse, além de estimular o apetite e combater a insônia.

Alguns de seus efeitos já foram comprovados em estudos clínicos e, atualmente, fármacos com sua presença são aplicados como analgésicos (principalmente no caso da dor crônica e neuropática), no controle de espasmos causados pela esclerose múltipla e como antiemético (no tratamento de enjoo causado por quimioterapia).

Outros possíveis benefícios ainda são alvos de pesquisas. Sugere-se que o THC funcione como um neuroprotetor, podendo ser eficiente contra epilepsia e outras doenças degenerativas, como o Alzheimer e Parkinson. Além disso, como anti-inflamatório, poderia ser útil no tratamento de doenças como artrite reumatoide; e como um antitumoral, impedindo o crescimento de células cancerígenas.

  • Canabidiol (CBD)

Também bastante conhecido, o canabidiol (CBD) é, atualmente, o canabinoide mais bem aceito para uso medicinal em todo o mundo. Não possui efeitos psicoativos e representa quase 40% dos extratos da planta.

Sua eficiência já foi estudada e os resultados são positivos no tratamento de epilepsia, ansiedade e até mal de Alzheimer.

Ao entrar no organismo humano, o CBD se conecta a neurotransmissores, como os de adenosina e serotonina. Essa interação resulta em efeitos positivos relacionados à ansiedade, inflamação, cognição, controle motor, percepção da dor, náusea e apetite.

  • Canabinol (CBN)

Trata-se de um canabinoide com efeito psicoativo, que surge da degradação do THC. Ou seja, quanto mais a cannabis é envelhecida, maior é a concentração de CBN. Há pouquíssimo canabinol na planta in natura.

Ele potencializa os efeitos do THC, causando no corpo humano sensação de torpor e desejo de ficar prostrado, além de leve sedação. Acredita-se que o CBN possa ser útil no tratamento de dores crônicas e glaucoma, bem como no estímulo ao apetite, mas ainda não existem estudos conclusivos.

  • Canabigerol (CBG)

Este canabinoide ainda é pouco estudado, mas tem um volume crescente de pesquisas em andamento, como mostra o relatório Cannabis – Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado da The Green Hub. Os dados existentes sobre o CBG apontam efeitos anticancerígenos, anti-inflamatórios, analgésicos e bactericidas. Há ainda a possibilidade de aplicação no tratamento de epilepsia e glaucoma, já que parece ter impacto de redução da pressão intraocular.

O CBG é um canabinoide não psicoativo e abundante em plantas com baixo teor de THC. Assim como o THC, reage com os receptores canabinoides do cérebro, mas com efeitos diferentes. É possível ainda que ele amenize a psico-atividade do THC.

  • Ácido tetrahidrocanabinol (THCA)

O THCA ou ácido tetra-hidrocanabinólico é o THC em sua forma ácida e existe, majoritariamente, na planta in natura. À medida que a planta seca após ser colhida, o THCA se converte lentamente em THC. O calor acelera essa conversão através do processo químico conhecido como descarboxilação, que retira o grupo carboxila (COOH) extra em sua composição. Diferente do THC, o THCA não tem efeito psicoativo.

Há poucas pesquisas, mas elas buscam confirmar efeitos imuno-modeladores, podendo estimular ou reprimir respostas imunológicas do corpo humano. Isso pode ser útil em doenças que atacam o sistema imunológico, como a AIDS, e doenças autoimunes, incluindo esclerose múltipla e doença de Chron.

  • Tetrahidrocanabivarin (THCV)

O THCV (tetrahidrocanabivarin) é semelhante ao THC em sua estrutura molecular e nas propriedades psicoativas, mas causa efeitos completamente diferentes. Ao contrário do THC, que causa fome, esse composto pode diminuir o apetite.

Por esse efeito inibidor da fome, o THCV despertou recentemente o interesse da empresa britânica GW Pharmaceuticals, que estuda a possibilidade de criar um medicamento com este canabinoide para tratar a obesidade.

Algumas pesquisas também sugerem eficiência do THCV para controlar níveis de açúcar no sangue e reduzir a resistência à insulina, além de atuar nas células ósseas, ajudando no crescimento. O canabinoide também tem capacidade de potencializar os efeitos medicinais do THC.

  • Canabicromeno (CBC)

Apesar de menos famoso, em relação ao CBD e THC, o Canabicromeno (CBC) é de extrema importância. Ele age ativando receptores do organismo e pode aumentar os níveis dos endocanabinoides naturais do corpo como, por exemplo, a anandamida – conhecida como a substância da felicidade.

Embora o composto tenha seus próprios benefícios, os pesquisadores também acreditam que ele pode trabalhar com outros canabinoides, em um processo conhecido como efeito entourage, quando dois ou mais elementos se unem e potencializam ou mudam o efeito um do outro. Isolado, ele pode ajudar no combate ao câncer, dores e inflamações, depressão e até a acne.

  • Cannabidivarin (CBDV)

O cannabidivarin (CBDV) é bem parecido com o CBD. Já é aplicado pela GW Pharmaceuticals em um medicamento para convulsão. O CBDV pode auxiliar também em tratamentos neurocomportamentais, como Síndrome de Rett, tanto para convulsões quanto no resgate da memória afetada pela doença. Há indícios de que ele seja efetivo ainda contra distrofia muscular.

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O potencial dos canabinoides no Brasil

Citamos oito canabinoides dentre mais de uma centena e, ainda assim, a lista de benefícios a serem explorados é imensa, pois a cannabis tem potencial positivo imensurável. Para descobrirmos e aproveitarmos ao máximo essas possibilidades, precisamos espalhar o conhecimento e combater o preconceito.

A ciência vem avançando muito nos estudos e pesquisas sobre estes e outros canabinoides e também sobre todas as possibilidades da cannabis, para saber mais sobre como andam as pesquisas em torno da planta, faça o download do nosso último relatório lançado este ano, é só clicar aqui.