Uma das primeiras plantas cultivadas pelo homem, atravessou momentos históricos e sociedades para construir as concepções a seu respeito que possuímos hoje. Também não fomos nós que descobrimos muitas de suas capacidades de uso, já que a história da cannabis descortina sua versatilidade, que já empregou rituais religiosos, material para os primeiros registros da escrita e uso terapêutico.

No texto de hoje, contaremos uma história que se iniciou há aproximadamente 12 mil anos, sobre cultivo e uso da cannabis desde as antigas civilizações chinesas, indianas e egípcias. Aqui, será possível compreender aspectos para além da medicina que determinaram a proibição e os paradigmas depositados na planta pelas sociedades.

Histórico de uso da cannabis em uma linha do tempo

Primeiro registro

O primeiro registro histórico da cannabis para fins medicinais acontece por volta de 2.700 a.C., no livro chinês Pen Tsao, considerado a primeira farmacopeia da História. A utilização da cannabis era descrita para o tratamento de dores articulares.

Egito antigo

Seu uso começou a se vincular não apenas às suas propriedades medicinais, mas também em produções de papiros e em rituais religiosos.

Cultura Hindu

Na religião milenar da Índia, sua utilização está descrita no livro sagrado “Atharvaveda”. Além do uso medicinal, a cannabis é considerada um presente de Shiva para a humanidade.

Chegada na Europa

Segundo referências bibliográficas, a cannabis chega à Europa por volta de 430 a.C., pela Grécia, devido a suas propriedades medicinais. Em Roma seu uso está relacionado a confecção de velas para barcos e vestuário.

Linha do tempo da utilização da cannabis

Primeiro livro de farmacologia médica

Escrito no ano 70 d.C, “De matéria médica”, de Pedânio Dioscórides, descreve mais de mil plantas com propriedades medicinais, incluindo a cannabis, considerada eficaz para o tratamento de dores articulares e inflamações.

Cannabis para tratar epilepsia

Enquanto o ocidente vivia a decadência científica por causa da religião, o oriente não interrompeu os estudos médicos. Em 1464 o médico Ibn al-Badri da faculdade médica de Calcutá, descreve pela primeira vez a utilização da Cannabis no tratamento de epilepsias refratárias.

Primeira proibição da cannabis

A primeira referência sobre a proibição da Cannabis foi em 1764, quando o imperador francês Napoleão Bonaparte invadiu o Egito e seus soldados tiveram contato com a planta. Observando que o uso diminuía a agressividade dos seus soldados, Napoleão proibiu o uso.

Cannabis no Brasil

Chegou em 1808, trazidas pelos escravos, que utilizavam a planta para diversos fins medicinais, sendo o principal o combate de dores.

Linha do tempo da utilização da cannabis

Popularização no ocidente

Em 1843 o médico irlandês Willian O’Shaughnessy publicou um artigo sobre as aplicações terapêuticas da Cannabis indica, planta tradicional nas culturas orientais. O médico passou então a indicar o produto no tratamento de cólera, reumatismo, tétano, raiva, dores e convulsões. O’Shaughnessy contribuiu decisivamente para divulgar o uso medicinal da cannabis na Europa do Século XIX.

Brasil

Por volta de 1900, a cannabis era encontrada nas farmácias em forma de cigarros e xaropes, indicadas para tratamento de dor, tosse, asma, insônia e outros. A utilização se popularizou entre as classes mais pobres e passou a competir com a indústria do álcool e algodão, motivo pelo qual acreditam ter provocado a sua proibição.

Cannabis é associada à droga

Em 1925, na Convenção de Genebra, a cannabis é comparada com os efeitos prejudiciais do ópio e passa a ser considerada uma planta perigosa.

Linha do tempo da utilização da cannabis

 

Após a Convenção de Genebra, quando a cannabis foi comparada ao ópio, o cenário para o uso medicinal da planta se torna cada vez mais negativo, principalmente com a criação da lei de impostos sobre a planta nos EUA e o fim da lei seca no país.