A criação do plástico totalmente sintético, feito à base de petróleo, carvão e gás natural, segundo a revista Super Interessante, aconteceu em 1907 e com um bom propósito: substituir o marfim, a matéria que forma nos dentes dos elefantes, moldado desde o século XVII. Hoje, o impacto da produção e descarte do plástico ao meio ambiente, coloca às empresas e cidadãos o papel vital de repensar atitudes e maneiras de reduzir o uso do material.

“A alta versatilidade do plástico fez com que nos últimos 50 anos sua produção desse um salto de 15 milhões de toneladas em 1964 para 311 milhões em 2014, de acordo com um levantamento realizado pela Ellen MacArthur Foundation – um aumento de quase 21 vezes ou 2073%.

A pesquisa também aponta que, atualmente, 90% dos plásticos contam com matérias-primas fósseis e finitas na sua cadeia de fabricação – como a nafta, derivada do petróleo e com alto impacto na emissão de carbono (CO²), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa – e isso representa cerca de 6% do consumo mundial do óleo. Se o crescimento do uso do plástico continuar, o setor responderá por 20% do consumo total do petróleo.”

Trecho retirado da matéria “Em 2050, haverá mais plásticos do que peixe nos oceanos“, do Estadão

Esse avanço desmedido tem despertado a atenção de governos, empresas e, principalmente, ambientalistas. Entretanto, o indivíduo também deve reconhecer sua responsabilidade sobre o tema, já que outro fator preocupante é o descarte inadequado de embalagens e outros produtos. Ainda na matéria do Estadão, dados demonstram que a contaminação de rios e mares com plástico é uma enorme ameaça – cerca de oito bilhões de toneladas do material são despejados nos mares todos os anos, o que pode ser comparado a um caminhão de lixo por minuto. Dados estimam que, se não houver nenhuma mudança, em 2050, haverá mais plásticos do que peixe nos oceanos (medida calculada em peso).

impactos ambientais causados pelo plástico

Bioplástico de cânhamo, uma alternativa mais sustentável

Uma alternativa mais sustentável e que tem demonstrado ser promissora para o Brasil e o mundo, é o cânhamo, uma das variedades da cannabis sativa. A planta não possui um índice significativo de THC – a quantidade de THC é inferior a 0,3% -, o canabinoide responsável pelos efeitos psicoativos que geralmente são associados ao uso adulto.

O Cânhamo tem um crescimento rápido e baixo custo para produzir.  Seu cultivo é um dos mais diversamente aplicados e sustentáveis do mundo.  Além disso, o Brasil possui enorme potencial agrícola e condições climáticas favoráveis para tornar o país um grande exportador da matéria.

Ao ser fabricado com cânhamo, o plástico se torna um item biodegradável e não tóxico, o que o torna mais seguro para a saúde das pessoas e do meio ambiente. Enquanto uma sacola plástica convencional levará séculos para se degradar na natureza, o bioplástico levará de três a seis meses. Naturalmente, isso significa que o bioplástico de cânhamo não é ideal para utensílios de longo prazo, mas é perfeito para os de uso único.

A versatilidade da planta é outro ponto positivo. Sua semente, caule e folha podem ser aproveitados e transformados em matéria-prima para diversos setores: construção civil, alimentício, vestuário, biocombustível, pet, cosmético, entre tantos outros. O plástico, no entanto, é feito a partir do caule e fibras, tal como papel, tecidos, cordas e materiais de construção.

O bioplástico de cânhamo no mercado

Sana Packaging 

A empresa produz embalagens feitas 100% a partir do bioplástico de cânhamo, plástico oceânico recuperado e outros materiais que visam reduzir o impacto do plástico tradicional no mundo. A marca acredita que os materiais feitos com recursos regenerativos e rapidamente renováveis ​​são os que devem ser utilizados para produtos de uso único, como embalagens, e preza por um futuro baseado na economia circular no lugar da linear.

infográfico economia circular

Infográfico da Sana Packaging traduzido pela The Green Hub

LEGO 

Segundo matéria da Sechat, a empresa LEGO, que possui seis décadas de história em plástico, agora está investindo milhões de dólares para eliminar esse material. A estimativa é que em 2030, 60 bilhões de peças que a empresa fabrica a cada ano serão totalmente substituídas por cânhamo.

E no Brasil?

Algumas empresas já notaram a importância de pensar e colocar em prática alternativas mais sustentáveis ao uso do plástico tradicional. A pioneira nesse processo foi a Braskem, empresa brasileira do setor químico e petroquímico, que desenvolveu o plástico verde, feito a partir da cana-de-açúcar. 

O material desenvolvido possui a mesma capacidade de durabilidade e resistência do convencional, mas cumpre com o propósito de reduzir impactos ao meio ambiente. Outro ponto positivo que pode ser atribuído à matéria, é seu potencial em controlar a emissão de gases nocivos, pois a cana-de-açúcar possui um processo natural que captura gás carbônico (CO²) durante a fotossíntese.