A onda de legalização da cannabis se dissemina pelo mundo em alta velocidade. Atualmente, o uso está totalmente liberado no Uruguai, Canadá, México e alguns estados nos Estados Unidos. Outras cerca de 50 nações já autorizaram os usos medicinal e/ou industrial. As mudanças de legislação e percepção em relação à planta se multiplicam de forma exponencial, acelerando também o mercado ligado a ela. Neste post vamos falar um pouco sobre alguns países que estão liderando o mercado de cannabis medicinal no mundo.

Segundo o relatório Cannabis – Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado, lançado recentemente pela The Green Hub, com dados da Clarivate Analytics e Derwent, o mercado global de cannabis legal deve chegar ao valor de US$ 55,3 bilhões em 2024.

Estes recursos se espalham – e seguirão se espalhando – pelo mundo de diferentes formas. Há países explorando o plantio e o valor da cannabis como commodity, outros investem fortemente em pesquisa e desenvolvimento, principalmente na área médica. Já alguns apostam no turismo. Futuramente, podem surgir ainda novas possibilidades, uma vez que a cannabis tem como uma de suas características principais a versatilidade.

Neste texto destacamos quatro países que estão ganhando protagonismo no mercado de cannabis medicinal no mundo:

Mercado de Cannabis global e suas potências 

Canadá 

O país liberou a cannabis para todas as finalidades, sendo o uso medicinal legalizado desde 2001 e o adulto a partir de 2018. Com tantos anos de estrada, os canadenses já têm grande mercado estruturado em torno da planta. Segundo estimativas da New Frontier Data, até o primeiro trimestre de 2020, esta indústria valia US$ 5,5 bilhões, representando 0,3% do PIB do Canadá.

De acordo com a consultoria especializada BDSA, as vendas de cannabis no mercado canadense subiram 61% no ano passado, atingindo US$ 2,6 bilhões. Além disso, o país foi beneficiado por novas regras governamentais, que liberaram também a comercialização de produtos derivados, como comestíveis à base de cannabis.

Toronto, maior cidade e importante centro financeiro do país, concentra grande parcela das vendas para uso adulto, segmento que teve, em 2020, um boom de crescimento. A cidade iniciou o ano com sete lojas regulamentadas e terminou com 87. Esse aumento ajudou a impulsionar as vendas com finalidades recreativas, que passaram de US$ 13,2 milhões, em janeiro de 2020, para US$ 31,2 milhões em dezembro do mesmo ano.

O comércio de extratos e concentrados também aumentou significativamente, triplicando entre o início e o fechamento do ano passado, encerrando o período com US$ 252 milhões movimentados, segundo dados do Statistics Canada.

Por outro lado, as vendas de cannabis medicinal apresentam desempenho morno no país. Em todo o ano passado, os gastos do Canadá com cannabis medicinal totalizaram US$ 457 milhões, valor semelhante à 2019.

Estados Unidos (EUA)

Com um sistema de governo diferente, os estados norte-americanos têm autonomia para legislar sobre alguns temas, como a legalidade da cannabis. Atualmente, o uso medicinal está liberado em 38 dos 50 estados e o adulto em 15. Ainda assim, o país tem o maior mercado de cannabis medicinal do mundo, com 38 milhões de usuários declarados.

A venda anual chegou a US$ 17,5 bilhões em 2020, com aumento de 46% em relação ao ano anterior, de acordo com a BDSA. Este volume rendeu ao governo uma arrecadação de mais de US$ 7 bilhões em impostos. Ainda no ano passado, cerca de 340mil norte-americanos trabalhavam na produção, transporte e comercialização da cannabis.

O país concentra também mais de 50% das atividades de pesquisa relacionadas à planta, com número crescente de patentes solicitadas nos últimos anos. Os estudos por lá estão focados, principalmente, em biotecnologia e agricultura, seguidos de perto pela cannabis medicinal.

Os EUA estão também na liderança do mercado de comestíveis em cannabis, segmento puxado pelos estados da Califórnia e Colorado, onde o uso adulto foi liberado, respectivamente, em 2016 e 2014.

Uruguai 

Em 2013, o país foi pioneiro na América do Sul ao legalizar totalmente o uso, a produção e distribuição de cannabis uso medicinal e adulto. Desde então, este mercado gerou receita de US$ 45,5 milhões, movimentando cerca de 40 toneladas da planta por ano.

Em 2019, a indústria do país exportou US$ 1,9 bilhão em produtos oriundos das cerca de 50 plantações de cânhamo existentes no território uruguaio à época. Estes cultivos ocupavam, até então, 250 hectares, empregando, em média, 10 pessoas por hectare.

A legislação uruguaia permite que a população plante até seis pés de cannabis em casa, trazendo certa dificuldade à mensuração da quantidade de consumidores e volume de produção no país.

Outra questão importante é que o consumo por turistas é ilegal – somente permitido aos uruguaios, ou pessoas com autorização de residência. Ainda assim, há fluxo considerável de viajantes no país que buscam a liberdade de usar a cannabis, se amparando em uma brecha na lei, que libera pessoas autorizadas a compartilharem sua cannabis com turistas.

China 

Surpresos? Pois é! Apesar de o uso adulto da planta ser proibido, o país tem grandes extensões de terras ocupadas com o cultivo de cannabis porque, em 2010, o governo chinês liberou o cultivo do cânhamo industrial. A atividade era tradicional no sul da China há milênios, até que foi proibida quando o país se tornou signatário da Convenção das Nações Unidas sobre Substâncias Psicotrópicas, em 1985. Porém, com o crescimento da demanda no mundo, as empresas chinesas foram rápidas em trabalhar para que o cultivo voltasse a ser permitido.

Atualmente, pode-se plantar o cânhamo legalmente em duas províncias: Heilongjiang, no norte, e Yunnan, no sul do país.

O China Rural Statistical Yearbook, publicado pelo National Bureau of Statistics, em 2014, já apontava o país como maior produtor de cânhamo do mundo e a posição é mantida até hoje, com cerca de 70% de toda a produção global.

Em 2019, 30 empresas chinesas tinham autorização para o plantio. Em novembro de 2020, 12 delas, todas em Yunnan, estavam liberadas para extrair e exportar o canabidiol (CBD) – no mercado interno a substância segue proibida, até mesmo para o uso medicinal.

A China é, hoje em dia, um grande player global na produção do CBD em grande escala e suas vendas têm crescido rapidamente, atendendo Europa, EUA, Canadá, Japão e Coreia do Sul, além de outros países e regiões. Algumas estimativas afirmam que Yunnan é responsável por 50% do fornecimento global total de CBD.

Quer saber mais sobre a Mercado de Cannabis Medicinal no mundo?

Entendemos que esse assunto é complexo e não pretendemos esgotá-lo em um post. O primeiro passo é estudar e temos muito conteúdo sobre o mercado de cannabis no nosso blog,  comece  com nosso artigo: Mercado de cannabis global pisa no acelerador.