Resistente, sustentável e com mil e uma utilidades: a fibra de cânhamo está (re)conquistando seu espaço no mercado produtivo mundial.

Estranhou o ‘reconquistando’? Pois é, não é das gerações atuais o mérito de descobrir o valor deste material. Lá pelo ano 7 mil antes de Cristo, a humanidade já aproveitava os benefícios da Cannabis Ruderalis – nome científico do cânhamo – para fazer cordas, tecidos, redes e velas de navios, entre uma infinidade de outros itens.

Até mesmo o modo de extrair a fibra aplicado atualmente é o mesmo utilizado por nossos ancestrais. Claro que adicionamos tecnologia para tornar tudo mais prático, mas empregamos os mesmos processos de milênios atrás para transformar a planta em longos fios. São basicamente três etapas para chegar na fibra de cânhamo:

  • colheita, 
  • maceração e 
  • separação

Cultivo de cânhamo

E neste texto vamos explicar um pouco mais sobre cada etapa, continue lendo:

1. Colheita 

Já sabemos a importância do cultivo do cânhamo, mas aqui vamos falar sobre a produção da fibra de cânhamo especificamente.

O cultivo de uma planta é sempre algo muito técnico, e para o cânhamo não é diferente, por isto vamos apenas passar por alguns detalhes aqui:

A qualidade da fibra vai depender se o cultivo é feito apenas para uso têxtil ou para mais de um uso, neste caso a colheita, além da fibra, produz sementes que são usadas para outras aplicações, como para alimentação, por exemplo.

Nas colheitas feitas apenas para uso têxtil, a fibra alcança maior qualidade e a planta do cânhamo pode chegar a até seis metros de altura. E o ideal é colhê-las de 70 a 90 dias após o plantio – logo após a floração – para que as fibras produzidas sejam melhores.

2. Maceração

No dicionário, o verbo macerar significa: amassar, triturar, moer, esmagar, socar, pisar, esmigalhar, esfacelar, trilhar ou pilar. Apesar do nome, porém, não é exatamente isso que se faz com a planta do cânhamo depois da colheita. 

A etapa de maceração começa com a separação dos talos das folhas e galhos do caule. Em seguida, todo o material é deixado no solo para se decompor pelo período de quatro a seis semanas. Em algumas produções, para acelerar o processo, o material é imerso na água, ou ainda são adicionadas enzimas.

3. Separação da fibra

A fermentação microbiológica produzida pela maceração dos caules facilita a extração e separação das fibras da porção lenhosa. Essa separação pode ser feita de forma manual, como antigamente, ou utilizando um descorticador, equipamento que transforma o trabalho de dias em algumas horas. 

Depois que passar pela máquina o material é classificado e dividido entre fibras curtas (conhecidas como estopa) e fibras longas (chamadas de fibras de linha), que podem chegar até cinco metros.

Habemos fibra de cânhamo!

Ao final da etapa da separação o milagre está feito e a fibra de cânhamo pronta para se transformar em matéria-prima de variadas indústrias, se transformando em produtos como, por exemplo:

  • papel,
  • cordas ou tecidos,
  • bioplástico,
  • materiais de construção e
  • isolantes e isolantes térmicos, como painéis e blocos de concreto.

Fibra de cânhamo - uso têxtil

Benefícios da fibra de cânhamo

E para fechar esse texto, vamos falar bem do cânhamo – é, a gente sabe que sempre faz isso por aqui, mas é que só temos mesmo coisas boas para dizer sobre esta planta.

No geral, a fibra do cânhamo é superior a outras fibras naturais, tanto em termos de cultivo quanto de aplicação. Suas muitas vantagens incluem:

  • Consumir menos insumos e água no cultivo do que o algodão, fibra atualmente mais utilizada na indústria têxtil;
  • Ser resistente a pragas e doenças – em parte por crescer muito rápido;
  • Ter baixos níveis de uma molécula chamada lignina, o que permite o branqueamento ecologicamente correto sem o uso de cloro;
  • Produzir muito mais fibra do que algodão ou linho, usando a mesma quantidade de terra;
  • Ser uma das fibras naturais mais fortes do mundo;
  • Ser menos elástica, o que ajuda os tecidos a manterem suas formas;
  • Quando tingida, reter a cor melhor do que o algodão;
  • Possuir alta resistência à abrasão;
  • Ser resistente a mofo e bolor;
  • Ser um bom bloqueador de raios ultravioleta.

Depois de ler tudo isto, dá aquela vontade de sair correndo e investir nesta fibra, né? Quem sabe ter uma peça de fibra de cânhamo no guarda-roupas.

A boa notícia é que isso já é possível e você não precisa nem sair de casa.

Algumas marcas internacionais e brasileiras tem investido no material. Aqui destacamos algumas marcas nacionais que já estão investindo nesta fibra que tem tudo para desenvolver um mercado mais sustentável e justo em todo o mundo. Vale conhecer algumas iniciativas:

Marcas nacionais:

  • Reserva
  • Osklen
  • QueenCo – Tecelagem de fios naturais
  • Vale para os pets também? Wee Dog Shop – https://www.weedogshop.com/

Marcas internacionais:

No Brasil é permitido comercializar estes itens e até confeccionar, desde que a fibra tenha sido importada. Plantar e, consequentemente, produzir a fibra aqui, ainda não é permitido o que muitas vezes dificulta o acesso a este material.

Torcemos para que em breve nossa legislação avance no sentido de desenvolvermos este cultivo no país e o cânhamo possa desfilar em paz seus benefícios por aí.