O mercado da cannabis está em construção. Em um contexto global, ele é como um prédio de uma grande empreiteira, subindo tão rápido que surpreende a cada olhar. Contudo, se fizermos recortes por países, temos muitos quadros diferentes. Alguns já estariam com paredes em pé, prontos para o acabamento. Já outros, ainda estudando como tirar o projeto da planta com segurança. O mercado da cannabis no Brasil está em um estágio que podemos definir como “construindo os alicerces”.

Cada uma destas fases tem suas características e é preciso conhecê-las e saber aproveitá-las. O momento atual do Brasil é propício para estruturar negócios e atrair investimentos. Quem acredita ter uma boa ideia para o setor pode estudar mercados mais maduros como os Estados Unidos, Canadá e países da Europa, para observar acertos e falhas, compreendendo os porquês. Essa possibilidade de aprender com os erros de quem veio antes é uma vantagem e tanto para os empreendedores.

Mais um ponto positivo de empreender em um mercado embrionário é a oferta de investimentos. Em outros países, onde a onda inicial da cannabis já passou, muitos negócios não vingaram e os investidores tendem a colocar recursos em iniciativas com certo grau de sucesso. No Brasil, o consumidor ainda não foi testado e bons empreendedores podem usar este fato ao seu favor.

Segundo o relatório Cannabis – Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado, lançado recentemente pela The Green Hub com dados da Clarivate Analytics e a Derwent, o mercado global de cannabis legal, está estimado em US$ 55,3 bilhões em 2024. Deste total, US$ 824 milhões estarão na América Latina – incluindo o Brasil. Ou seja, um universo de possibilidades esperando para ser desbravado.

Mercado de cannabis

Quais são as possibilidades de negócios? 

Atualmente, o mercado da cannabis no Brasil gira principalmente em torno do uso medicinal. Há cursos para médicos e veterinários aprenderem as aplicações terapêuticas e formas de prescrever cannabis; remédios sendo vendidos em farmácias; associações de cultivadores com permissão para cultivo; advogados especialistas; e organizações de advocacy, entre outras iniciativas ligadas ao setor.

Contudo, com a regulamentação ampliada dos usos medicinal e industrial – que deve ocorrer em um futuro breve – uma nova gama de possibilidades vai se abrir e quem estiver preparado vai sair na frente nesta corrida.

É neste cenário que muitos empreendedores estão estruturando seus negócios. Aqui na The Green Hub, em duas Chamadas de Startups já realizadas, selecionamos oito startups, com propostas variadas. Elas são bons exemplos das vastas possibilidades que o mercado brasileiro de cannabis apresenta.

Para saber mais destas possibilidades, conheça um pouco sobre cada uma das startups aceleradas pela The Green Hub:

ADWA Cannabis

Focada no desenvolvimento de tecnologias de pesquisas voltadas para a cadeia produtiva da cannabis, é uma iniciativa de estudantes de Agronomia e Administração da (Universidade), que enxergaram na planta o potencial de uma nova commodity. O foco das atividades é biotecnologia, atuando no melhoramento genético, aperfeiçoamento de processos e desenvolvimento de softwares que ajudarão o Brasil e, até mesmo, outros países a se posicionar de forma competitiva neste mercado.

Rubian Extratos 

Tem o propósito de desenvolver e produzir extratos vegetais ricos em bioativos, focados em segurança, eficácia e transparência, principalmente para o mercado B2B. Já trabalham com muitos elementos da biodiversidade brasileira, como urucum, maracujá e jabuticaba. Em breve, a cannabis deve entrar nesta lista!

The Dogons 

É uma startup de pesquisa e desenvolvimento de produtos probióticos com infusão de canabinoides para fins terapêuticos. O objetivo é atuar na área industrial e comercial, com produção e comercialização de bebidas probióticas manipuladas. A meta é oferecer ao mercado produtos à base de ingredientes naturais, sem conservantes e com baixo teor de calorias.

Kaneh Bosm Genes 

A empresa desenvolverá soluções para o cultivo aquapônico – como matéria-prima para fins medicinais e industriais – em sistema fechado e automatizado, biofertilizantes e inóculos, além de trabalhar na aplicação de técnicas de melhoramento genético e desenvolvimento de cepas, aprimorando a qualidade do produto. Pretendem executar um cultivo livre de agrotóxicos, fertilizantes químicos e derivados de petróleo, com a premissa de produção energeticamente eficiente, de baixo consumo de recursos hídricos e com custo reduzido.

Centro de Excelência Canabinoide (CEC) 

Fundada em 2018, com a missão de levar qualidade de vida às pessoas por meio do compartilhamento de informação e acompanhamento médico. Possuem uma clínica com médicos especialistas em tratamento com cannabis, baseado nos pilares da medicina humanizada e da multidisciplinaridade, integrando especialidades. Além disso, a operação engloba o Instituto CEC, voltado à educação para profissionais da saúde e às pesquisas.

Cannapag Bank 

Startup de soluções personalizadas de pagamento. Nasceu a partir do problema que uma associação de pacientes de cannabis enfrentava para ter acesso a métodos de pagamento que atendessem suas necessidades. É a primeira fintech para o mercado de cannabis do Brasil, oferecendo um sistema de internet banking para as associações de pacientes e estabelecimentos de saúde, além de integração com e-Commerce. Também faz consultoria em tempo integral para implementação de loja online e sistema de gestão e treinamentos para integrar com sucesso o mercado da cannabis.

Jamba Estúdios 

É uma produtora de conteúdo focada em desconstruir o preconceito e criar um novo imaginário para o mercado de cannabis. Os produtos idealizados pela Jamba têm a intenção não apenas de entreter, mas também agregar valor educacional e informativo. As produções envolvem histórias em quadrinhos autorais, além de conteúdos sob demanda, todos com objetivo de democratizar o conhecimento histórico coletivo.

Scirama 

Startup de inovação na área de psicodélicos – incluindo a cannabis -, com objetivo de dar o financiamento inicial, além de ajudar na estruturação de produtos e terapias derivados das propriedades já conhecidas destas substâncias. Entre os alvos da Scirama estão tratamentos de neuropatias e protocolos para o tratamento de dependência química, em especial de álcool.

mercado de cannabis

Como começar meu negócio no mercado de cannabis no Brasil? 

Como a gente sempre diz: estude! Qualquer negócio precisa de muito conhecimento e planejamento, seja no mercado de cannabis ou não. Procure pessoas que já estão no meio, entenda a viabilidade da sua proposta, analise riscos e potencial. Prepare-se para ser um empreendedor de um mercado disruptivo e inovador – e isso não é pouca coisa.

Acesse a nossa área de Reports aqui no site, leia nosso blog e procure nossos consultores. Seja você de humanas, biológicas ou exatas, saiba que existe espaço para a cannabis no seu ramo. Descubra o seu caminho no mercado de cannabis e esteja pronto!