A motivação para proibir o uso da cannabis nas sociedades nunca foi levando em conta apenas os aspectos medicinais, e sim uma união entre interesses políticos e sociais se beneficiando da falta de informação e educação da população sobre o tema. Há poucos anos, a cannabis não tinha nenhuma relação com sua aplicação medicinal para a sociedade. A planta, que hoje movimenta uma indústria bilionária e gera milhares de empregos, era associada à violência e considerada “porta de entrada” para o uso de drogas. 

Mesmo com todas as pesquisas realizadas em cima dos benefícios da cannabis para a saúde humana e as possibilidades diversas para a construção de um mercado mais sustentável e que pode, inclusive, substituir o uso do plástico, os preconceitos sobre a cannabis ainda impedem populações de inúmeros países de desfrutarem de sua versatilidade.

A cultura se constrói em cima da educação da sociedade

Da mesma forma que os preconceitos e estereótipos são ensinados de geração para geração, só existe uma forma de inserir a cannabis na sociedade: educação para as pessoas. Nos EUA, por exemplo, em 1933, quando a lei seca americana foi interrompida, o uso da cannabis passou a ser uma concorrência com a indústria do álcool, provocando uma disputa comercial. Além disso, o uso da cannabis foi associado à cultura mexicana, percepção que incentivou a perseguição aos grupos marginalizados e imigrantes do país vizinho. 

Por conta dessa percepção popular que foi incentivada por interesses comerciais, o uso da cannabis passou a sofrer por pressão cultural, ser alvo de filmes, livros e reportagens que associavam os efeitos da planta à insanidade mental e violência. Reefer Madness, também conhecido como Tell Your Children, é um filme de campanha estadunidense, montado em 1936 para exibição nas escolas. O filme é utilizado contra o uso da cannabis, reforçando a relação da planta com atitudes de loucura e violência.

Já em 1942, com a segunda guerra mundial em atividade, o cenário predominantemente negativo acerca da cannabis começou a se modificar. Os EUA se posicionaram a favor da planta e do seu plantio, inclusive com incentivo pelo departamento de agricultura americano. Desta vez, um vídeo educativo com uma intenção contrária a do “Reefer Madness” foi desenvolvido.

“Hemp For Victory”, em português “cânhamo pela vitória”, foi criado para fomentar o uso das fibras da planta para a produção de utensílios para a guerra, como fardas, sapatos e paraquedas. Agora, mesmo que a ação fizesse aumentar o uso adulto, o fazendeiro que plantasse cannabis, junto com sua família, estariam isentos da possibilidade de servir ao país na guerra.

Uma sociedade bem informada

Essa tendência de incentivo à cannabis também acontece no país hoje em dia. Os estadunidenses estão cada vez mais abertos a aprender sobre a cannabis e suas aplicações na sociedade. Um dos motivos que explicam este acontecimento é a propagação da informação. A indústria da cannabis está gerando empregos nos EUA — inclusive nos setores auxiliares —, apoiando mais de 500.000 vagas de trabalho em 2019. E quando se trata de impostos, o Instituto de Tributação e Política Econômica estimou a receita tributária estadual e local de cannabis dos EUA em US$ 1,6 bilhão em 2019.

Educação sobre cannabis no Brasil

No Brasil, estamos dando passos muito lentos, mas, pelo menos na medicina, a cannabis já possui um importante papel que tem crescido cada vez mais. Para alcançarmos um lugar semelhante aos EUA, por exemplo, é preciso ampliar o número médicos capacitados a prescrever cannabis. Faculdades, universidades e escolas precisam se envolver mais com a planta para educar profissionais que estão descobrindo uma nova área. Colaborar com a educação será um enorme setor de desenvolvimento para o mercado da cannabis nesta década, já que a falta de informação vem desde os bancos da universidade: poucos cursos de medicina oferecem a disciplina em seus currículos regulares.

Com profissionais e pacientes bem informados, ampliam-se as possibilidades de mudança na legislação, expandindo o acesso ao cultivo e a variedade de produtos autorizados, incluindo suplementos alimentares, cosméticos, itens para pets e, claro, o cânhamo industrial. Existem dezenas de novas indústrias de cannabis em potencial de crescimento, mas só com a disseminação de informação elas serão possíveis de se concretizarem.

Quer entrar para o time de startups aceleradas pela The Green Hub?

Em parceria com a Merck, abrimos um processo de chamada de startups em que os selecionados poderão acessar diversos benefícios. Nós estamos em busca de projetos criativos para desafiar o mercado brasileiro de cannabis ao nosso lado.

Já tem uma ideia? Conta aqui pra gente, a inscrição é simples e não possui custos!